“TODO TEXTO É BOM?”
Todos os dias lemos textos: propaganda volante distribuída
na rua, outdoors, placas de lojas, bulas de remédio,
e-mails, textos veiculados em sites e uma infinidade
de outros tipos de textos que circulam na sociedade.
Mas,
quando somos levados a produzir textos? Isso também
acontece quase que diariamente. Escrevemos bilhetes,
anotações, e-mails, relatórios,
pesquisas, cartas, etc.
O
que muda é que, no primeiro caso, somos os
leitores e, no segundo, somos os produtores de textos.
Em
um caso e no outro, temos que estar atentos. Como
leitores, precisamos observar o que o texto diz e
como diz. Já como produtores, precisamos estar
atentos ao modo como vamos expressar nossa mensagem.
Daí a pergunta: todo texto é bom?
Depende.
Texto bom é aquele que possui algumas qualidades
e que preenche alguns requisitos básicos. Vamos
ver alguns exemplos:
(1)
“Realmente concordo com tudo que disse, suas
teses são aceitáveis, mas a nossa realidade
é outra; O livro é sem dúvida
indispensável na mesa do Brasileiro, mas este
livro fazendo parte da “cesta básica”,
o preço do arroz e do feijão
iria lá prás alturas.” (Transcrição
fiel ao que foi escrito pelo autor do texto).
- Vejamos, o autor do texto 1 concorda com
tudo o que alguém disse. Quem? O que foi dito?
As teses são aceitáveis, por quê?
“Nossa realidade”... a partir de qual
perspectiva: econômica, política, cultural?
Qual a relação lógica entre livro,
arroz e feijão? As idéias do autor ficaram
só com ele. Não foram traduzidas para
o texto, de modo que o leitor pudesse compreendê-las.
Com esse procedimento, o texto tornou-se obscuro,
impreciso, sem objetividade. Vejamos, agora, um exemplo
contrário a esse.
(2) “Ziraldo, como o senhor disse,
o livro é um objeto de grande importância
para a formação de uma pessoa. Um gênero
de primeira necessidade. Todos sabem disso, mas nem
se importam. O livro deveria mesmo ser incluído
nas cestas básicas, sendo considerado
tão importante quanto o arroz e o feijão,
um objeto de sobrevivência. E isso deveria
ser levado em conta principalmente no Brasil onde a
maioria das pessoas não têm o hábito
de ler.” (Transcrição
fiel).
-
Observem, não é que este texto esteja
livre de problemas. Ele tem alguns. Mas, em comparação
com o anterior, podemos verificar que as perguntas,
formuladas para o texto 1, estão respondidas
no texto 2. Este texto possui clareza, precisão
e objetividade.
Quando
falamos em qualidades do texto, estamos nos referindo
a algumas características básicas que
devem ser respeitadas pelo escritor, de forma que
o leitor tenha acesso à mensagem. As principais
são: a clareza, a precisão, a objetividade,
a fluência, a adequação, a harmonia.
Então,
lembre-se: após concluir o texto,
não tem jeito, é imprescindível
relê-lo! Colocar-se no lugar do leitor por um
último instante, com o olhar mais crítico
possível, removendo palavras desnecessárias
e acrescentando outras que ajudem a dar sentido.
Produzir bons textos implica, antes de tudo, pensar
no leitor do seu texto. Permita que ele penetre em
suas idéias.
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