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Haitianos choram os mortos, país começa a voltar à vida; buscas por sobreviventes se encerram
j.
João Monlevade, 25 de janeiro de 2010


Do UOL Notícias*
Em São Paulo




Veja como ajudar as vítimas da tragédia no Haiti
Leia mais aqui


Após mais de uma semana de buscas por sobreviventes nos escombros deixados por um terremoto que devastou o país, o Haiti se preparava neste sábado para chorar seus mortos em meio a sinais de que o cotidiano começava a voltar ao devastado país caribenho.

Uma grande multidão é esperada para o funeral do arcebispo católico Joseph Serge Miot, morto no terremoto de 12 de janeiro, que deixou a cidade em ruínas. A cerimônia será realizada do lado de fora das ruínas da catedral de Notre Dame, no país majoritariamente católico.

"Como arcebispo, ele tem o privilégio de ficar ao lado do que restou da catedral, mas como a catedral foi destruída, ele só poderá ser transferido para lá quando uma nova for construída, e não sabemos quando isso irá acontecer", disse o arcebispo Bernardito Auza, embaixador do papa no Haiti, à agência de notícias católica.

Buscas encerradas
O governo do Haiti declarou encerrada a fase de buscas e resgate de vítimas do terremoto que devastou o país na semana passada, segundo comunicado divulgado neste sábado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

A decisão foi tomada mesmo após o resgate com vida, na sexta-feira, de duas novas vítimas, após passarem dez dias sob os escombros.

Uma das vítimas era uma mulher de 84 anos, retirada em estado grave das ruínas de sua casa na capital haitiana, Porto Príncipe, com uma severa desidratação e ferimentos profundos.


Soldado francês checa a pulsação de Marie Carida Roman, 84, no Hospital Geral de Porto Príncipe, após ela ter sido retirada com vida dos escombros da casa onde morava na capital haitiana nesta sexta (22). Segundo seus familiares, ela ficou soterrada por 10 dias

Veja a foto ampliada
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Assista vídeos sobre o terremoto

Segundo os membros da equipe que a resgataram, ela mal se mexia, tinha ferimentos por todo o corpo e vermes, que se alimentam de carne em decomposição. Ela foi levada ao hospital principal de Porto Príncipe.

Uma equipe de resgate israelense também retirou mais tarde um homem de 22 anos dos escombros de sua casa. Ele saiu debilitado, mas em condição estável, e contou ter sobrevivido bebendo a própria urina.


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Mortes confirmadas

O Ministério do Interior haitiano divulgou nesta sexta-feira o número oficial de 111.499 mortes confirmadas no terremoto de magnitude 7 que atingiu a região da capital do país no dia 12 de janeiro.

Estima-se, porém, que o número final de mortos possa chegar a 200 mil.

Segundo o comunicado do Ministério do Interior, ao menos 193.891 pessoas ficaram feridas com o tremor, que afetou ao menos 3 milhões de pessoas, de acordo com estimativas da ONU.

Cerca de 610 mil pessoas estão desabrigadas e vivendo em campos improvisados na capital, segundo o governo.


Retomada
Em meio ao luto, há sinais de que o país caribenho, o mais pobre das Américas, começa a voltar à vida. Os bancos devem reabrir no sábado e as agências de transferência de dinheiro voltaram a operar após reabrirem no sábado.

"Quero pegar o dinheiro enviado pela minha família no Canadá. São 500 dólares, mas é difícil. Há muitas pessoas", disse o empresário Aslyn Denis, de 31 anos, enquanto esperava numa fila com centenas de pessoas do lado de fora de uma dessas agências.

Embora a ajuda vinda de várias partes do mundo estivesse chegando à devastada cidade em uma enorme operação de ajuda realizada pelos Estados Unidos, os sobreviventes do terremoto ainda acampavam nas ruas e reclamavam que não recebiam comida.


"Estamos com fome, estamos com sede, não podemos mais aguentar. Queremos comida, queremos água, Abaixo Préval. Vida longa a Obama", gritava um grupo de manifestantes do lado de fora de um posto de polícia onde o governo do presidente haitiano René Préval está funcionando.

A polícia afastou algumas dezenas desses manifestantes.

Préval, cujo palácio e residência presidenciais foram destruídos pelo terremoto que matou até 200 mil pessoas, disse que seu governo e parceiros internacionais estão fazendo todo o possível para levar assistência aos sobreviventes.

"Não estamos sentados parados, sem fazer nada. Conheço o tamanho dos problemas e sei que as pessoas estão sofrendo", disse.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, enviou um grande contingente militar para ajudar nos esforços internacionais de ajuda.


*Com informações das agências internacionais