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Michael Porter fala sobre estratégia em
entrevista
Segundo
o economista e professor da Harvard Business School,
o principal foco de uma corporação
deve ser a estratégia. Sobrepor o crescimento
a ela é um erro que muitas organizações
insistem em cometer . As
empresas devem competir para ser únicas
e não para tentar ser as melhores. A recomendação
é de Michael Porter, especialista e autor
de conceituados livros sobre estratégia.
Ele
diz que para alcançar esse objetivo é
fundamental que as companhias deixem de lado aspirações
usuais, como a de ser a número um, numa
busca incessante (e às vezes nefasta por
liderança) ou a de internacionalizar produtos,
por exemplo. “Não
estou dizendo que crescimento não é
importante, porém, nem sempre altos níveis
de crescimento significam lucros”, esclarece.
Para ele, o RH de uma empresa é a essência
da corporação, mas “é
importante personalizar a política de recursos
humanos e adequá-la à estratégia”.
Por personalização, Porter quer
dizer algo que o mercado sabe, mas raramente pratica: as
políticas de gestão de pessoas devem
ser pensadas caso a caso, customizadas de acordo
com o perfil, a vocação, o planejamento
e a estratégia das empresas. Para isso,
o líder precisa ser um estrategista que
saiba dividir com toda a corporação
a estratégia. “Não é
porque você simplesmente colocou uma estratégia
no papel que deve achar que todos vão segui-la.
É muito importante debatê-la, aperfeiçoá-la”,
explica. “Os benefícios são
maiores quando ela é amplamente divulgada
por toda a organização”, complementa.
Responsabilidade
– Porter escreve livros e artigos sobre
um tema que, segundo ele, ganhará cada
vez mais importância no mundo corporativo
global: a responsabilidade social, algo que muitas
organizações ainda vêem exclusivamente
como oportunidade de marketing institucional,
o que é um erro grave. O primeiro artigo
dele sobre o assunto foi publicado em 1999 e o
mais recente acabou eleito por críticos
como o melhor de 2006. Em todas as suas pesquisas,
Porter salienta que as organizações
perdem dinheiro porque ainda não enxergam
a responsabilidade corporativa como um ponto realmente
estratégico na gestão delas. “É
apenas uma questão de tempo para que elas
parem de analisar essas duas áreas como
setores desconexos”, prevê. “As
empresas que terão sucesso no futuro farão
essa síntese”, complementa, alertando,
no entanto, que “as companhias não
podem resolver todos os problemas da sociedade”.
Segundo ele, a impressão que se tem é
que há muito destaque para o “quanto”
se gasta e pouco estudo sobre o “como”
é gasto... “Não adianta ‘espalhar’
dinheiro por toda a parte para tentar ser socialmente
responsável. É preciso que as ações
sociais, assim como as corporativas, sigam a estratégia,
estejam alinhadas”, explica. “Um banco
deve ajudar a população de baixa
renda a poupar, a financiar moradia, porque é
disso que ele entende”, afirmou o especialista
em recente entrevista. Para Porter, um caminho
para as empresas é selecionar de maneira
estratégica os seus investimentos em responsabilidade
social e concentrá-los em projetos que
tenham relação com o seu negócio.
Perfil
- O americano Michael Porter é a maior
referência mundial em estratégia.
É autor de best-sellers internacionais
na área, escreveu mais de 85 artigos que
foram publicados nos principais jornais e revistas
de todo o mundo e recebeu três vezes o McKinsey
Award como o melhor artigo publicado na Harvard
Business Review num ano. Porter lidera, na Harvard
Business School, o programa para novos presidentes
de empresas que tenham faturamento superior a
US$ 1 bilhão e também o Institute
for Strategy and Competitiveness. Formou-se em
Engenharia Mecânica pela Princeton University
e obteve o mestrado e o Ph.D. em Administração
e Economia pela Harvard University. Em recente
estudo mundial realizado pela consultoria Accenture,
que gerou um ranking internacional dos principais
consultores e pensadores do management mundial,
Michael Porter foi classificado o mais influente. P1
- Qual o papel do RH na estratégia? Porter
– O RH, na verdade, é a essência
da empresa, já que esta não pode
ser bem sucedida sem ele. O importante é
personalizar a política de RH e adequá-la
à estratégia. Não existe
uma política que possa servir a todos os
casos. Em algumas organizações,
a política de remuneração
pode ser composta por salários mais altos,
bônus menores ou o contrário. Em
alguns outros casos, você deve ter unidades
de negócios que se adaptem a essa política
genérica na empresa. O importante é
destacar que não existe uma política
única de RH que possa atender a todos os
casos. P2-
Na década de 80, o modelo que o senhor
desenvolveu das cinco forças se tornou
paradigma no estudo de estratégia. O senhor
considera que esse paradigma já foi quebrado? Porter
– No último ano, fiz um trabalho
mais dedicado a essa questão e escrevi
um novo artigo... Conversei com muitas empresas,
ouvi muitas críticas, mas, na essência,
acredito que este modelo das cinco forças
é atemporal. As tendências, as tecnologias,
os produtos mudam, mas são essas cinco
forças que impulsionam a concorrência.
Nesse novo artigo, eu aperfeiçoei alguns
dos pontos que mereciam uma atenção
maior e tento esclarecer alguns mal entendidos
que aconteceram. Já observei milhares de
alunos utilizando esse modelo e cometendo equívocos.
Na verdade é a essência que serve
para análise das mudanças. Para
citar um exemplo, escrevi um artigo em 2004 ou
2005 chamado “A estratégia na internet”.
Quando a internet surgiu, todos afirmavam: “tudo
mudou”, “existe uma nova economia”
etc. Na verdade, a regra é a mesma, a tecnologia
é que mudou. O artigo aponta formas de
diferenciar o sucesso do fracasso. Tenta separar
as tendências existentes e as verdadeiras
necessidades das empresas. Essa teoria das cinco
forças durou tanto tempo, não por
conta dessas tendências, mas principalmente
pelo fato de tratar dos fundamentos da base. Fiquei
muito assustado quando comecei a reescrever o
artigo, pois alguns desses conceitos eram considerados
até “sagrados”. Nenhum outro
artigo foi tão citado na imprensa e na
literatura. Foi um trabalho muito divertido, pelo
qual pude confirmar e reafirmar essas teorias
e aperfeiçoar os pontos que mereciam mudanças.
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Michael Porter é uma unanimidade quando
o assunto é estratégia. Segundo
ele, o principal foco das organizações,
atualmente, não deve ser o crescimento
do faturamento – algo que muitas empresas
insistem equivocadamente em priorizar-, mas a
estratégia em si. “Ela é mais
importante do que qualquer projeção
de crescimento de mercado”, ressalta o economista,
professor da Harvard Business School e "autoridade"
no assunto.
“Estratégia é mais importante
do que crescimento”
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