\n');
}
function MM_openBrWindow(theURL,winName,features) { //v2.0
window.open(theURL,winName,features);
}
function MM_swapImgRestore() { //v3.0
var i,x,a=document.MM_sr; for(i=0;a&&i
Gil
– Professor Spa
existencial Esse
Spa me ajudará a fugir da glutonaria de
comprar inúteis, que em vão tentam
preencher meus vazios e as coisas não resolvidas
em meu coração. Farei uma viagem
de solidariedade. Quem sabe bem perto de casa.
Um domingo com os velhinhos esquecidos no asilo,
uma palavra de conforto para um amigo doente no
hospital. Partirei o pão aos famintos de
justiça e atenção. Esquecerei
que também tenho forme.
Fugirei dos banquetes pantagruélicos de
informações que são despejadas
sobre mim a todo momento. Entenderei minha limitação.Tenho
apenas cinco sentidos, que, ora ou outra, ficam
insensíveis ou sem sentido. Procurarei
ser seletivo nesse self-service de mensagens e
apelos que invadem minha vida. Contentar-me-ei
com minha fragilidade e aceitarei a minha miopia
intelectual. Nem darei bolas para as pressões
de um tal mercado que exige de mim o que não
sou e cria metas ilusórias de fama e sucesso
profissional. Tentarei
emagrecer o barulho que invade minha vida. Cultivarei
um pouco de silêncio e exercitarei meu espírito,
buscando apaixonadamente o amor supremo, a matéria
prima que me forjou. Ouvirei o ressonar dos pássaros
que dormem, o bater das asas da coruja que caça
no clarão da lua e o crepitar do primeiro
raio de sol que desperta o botão de rosas
de meu jardim. Sentirei o perfume da terra borrifada
pelas primeiras gotas do orvalho. Não
terei vários amores, não me embriagarei
de paixões. Buscarei um só amor,
firme, sincero e verdadeiro, para me afogar no
mar abissal da intimidade. Serei
mais sóbrio e não me embriagarei
de tantas imagens que assediam minha consciência.
Dormirei com os sonhos de construir ninhos na
ponta de tantos canhões e erguer estaleiros
de vagens numa fileira imensa de fuzis desarmados.
Alargarei os beirais de minha utopia para bordar
o mundo com aquarelas de paz. Encherei os oceanos
de barcos cor de rosa e os levarei a atracar no
porto da terra sem males. Abrirei
minha boca para largos sorrisos e convocarei todos
para um regime de não mal-dizer. Benditas
serão as palavras que sairão de
tantas bocas famintas de amor. Proclamarei o ano
sabático do perdão de dívidas
existenciais. Ninguém mais mendigará
amor, afeto ou atenção. Do coração
de cada um jorrará uma cachoeira de ternura. Tratarei
minha obesidade espiritual com muitos remédios
para o coração. Tomarei pílulas
de bom humor e otimismo. Aceitarei meu corpo assim
assimétrico, com rugas e marcas que o tempo
deixou. Rirei de meus defeitos diante do espelho.
Não me enquadrarei em nenhum padrão
de beleza e desempenho, convencionados por uma
sociedade que idolatra a casca e se perde nos
regatos epidérmicos da ambição
e do estrelismo. Amarei a penumbra que me esconde
dos holofotes da mídia, amarei a sombra
da árvores que plantei em meu jardim e
me contentarei com o alimento que partilharei
em minha cozinha.
Gil
– Professor Refletindo
sobre a Ética Muitas
vezes usamos, equivocadamente, a palavra ética
e moral como sinônimas. A palavra moral
é de origem latina e significa “costumes”,
“hábitos”, o que corresponderia
a uma sentido mais superficial da palavra ética.
De maneira simples, podemos dizer que a moral
seria a vivência concreta dos homens em
cada contexto social e, a ética, seria
a reflexão sobre tal vivência. A
moral é forjada por uma matéria
prima que se denomina ética. A ética
é universal e a moral particular. A
ética apresenta os princípios que
orientam nossa consciência, na busca do
efetivamente bom e do bem. Tais princípios
se cristalizam na moralidade dos atos humanos.
Fazemos perguntas importantes sobre nossas escolhas
e o que é ser uma pessoa livre. Para captar
em profundidade sua relevância especial
em nossa vida, duas dimensões precisam
ser integradas. A autonomia e a heteronomia descortinam
o horizonte ético de nossa existência. Autonomia
é uma palavra que vem do grego e significa
“ a lei, a norma que crio para eu mesmo”,
ou “ quem ou o que se governa”. Mais
precisamente, refere-se ao desejo de tomarmos
as nossas próprias decisões, de
sermos senhores de nossas escolhas e de governarmos
a nós mesmos. O processo de maturidade
humana deve nos conduzir a uma autonomia sadia
e integradora. Nesse momento, principalmente,
podemos entrar em choque com os nossos pais que,
bem intencionados, querem nos ajudar em nossas
escolhas, querem que erremos menos e sejamos mais
felizes. Com o tempo, se amadurecemos, podemos
perceber que o apoio de nossos pais nesse momento
pode ser fundamental e não nos tira a autonomia,
desde que liberdades de escolhas sejam respeitadas.
Heteronomia
é outra palavra que vem da língua
grega e significa “ outra lei, norma diversa”.
Recebemos um mundo pré-dado que nos obriga
à sujeição e à obediência.
O Estado nos obriga a cumprir a lei mediante diversas
sanções. As organizações
impõe seus valores. As sociedades dispõem
seus padrões de conduta. Sem perceber,
internalizamos as normas e os padrões de
conduta. O que aprendemos de nossos pais no processo
de socialização primária,
o que aprendemos nas escolas e outras instituições
no processo de socialização secundária,
ensinamos aos nossos filhos. Em outras palavras,
a sociedade se aloja dentro de nós, para
podermos reproduzi-la. Não há como
fugir da heteronomia, pois também a introjetamos.
O
que seria então a liberdade humana? Somos
livres diante de tantas regras e normas que devemos
obedecer? Não há espaço para
minha intimidade? De fato, não existe uma
liberdade total e absoluta. Nossa liberdade é
sempre circunstanciada, “situacionada”,
se assim podemos dizer. O melhor conceito que
encontro para liberdade será a capacidade
que tenho de conviver com o outro. Minha liberdade
começa onde começa a liberdade do
outro, pois liberdade é encontro, respeito
e interação. Não podemos
querer colonizar o outro, impondo nossos valores
e nossa visão de mundo. Esse é o
caminho possível para construirmos uma
liberdade autêntica.
Resumindo tudo o que foi apresentado, podemos
afirmar que nossas escolhas são balizadas
pelo desejo de autonomia e pela consciência
das barreiras que toda sociedade nos impõe.
Nessa seara construímos nossa liberdade.
Há que se buscar um equilíbrio desafiador.
A autonomia não pode significar isolamento
e egoísmo. Destarte, temos que buscar sempre
um espaço para formação e
efetividade de uma consciência crítica
diante da realidade social. Ela não é
unívoca. Podemos fazer escolhas sadias
e libertadoras, que nos distanciam dos padrões
que a sociedade deseja instituir e que contradizem
nossos valores pessoais.
Gil
– Professor Felicidade
existe
Gil
– Professor A
Filosofia incomoda?
Como pescador de sabedoria,
amo a busca genuína da verdade e da coerência,
que me desinstala, me incomoda e ilumina os meandros
obscuros de minhas perdidas contradições.
Gil
– Professor
Gil
– Professor
A
Sociologia e eu
Gil
– Professor
Gil
– Professor
Kairós
e cronos
Gil
– Professor Educação
e vida
A imagem da abelha colhendo o néctar das
flores para fabricar o mel ajuda a compreender
melhor a missão do educador. Na grande
seara da globalização, o educador
deve ajudar na seleção e colheita
do néctar para produzir mel. Bom néctar,
bom mel. Boas informações, boa metodologia,
boa aprendizagem. Depois que colheu o néctar,
a abelha não se esquece do seu odor. É
capaz de se orientar novamente para mesma flor
onde o colheu o néctar. Se bem informado,
se introjetou a mensagem, se utilizou o conhecimento,
se multiplicou o conhecimento, consolidado está
o processo pedagógico. Acredito
que a educação tem como destinação
principal nos tornar mais sábios. Dar sabor
a vida de muita gente e torná-la mais suave
e saborosa como o mel. A história assim
poderá atingir sua grácil plenitude.
Ontem, a sacralidade do mestre; hoje, a copiosíssima
seletividade da informação; amanhã,
cidadãos mais humanos, mais íntegros
e mais felizes.
Gil
– Professor
Pérolas
da Filosofia
Estamos chegando a um grande momento de escolha
coletiva, expressão maior da democracia
que inda engatinha neste país. Você
já escolheu seu candidato? Quais critérios
adotou? Sua consciência, seu valor como
cidadão está à venda? Se
somos frutos de nossa escolhas, com certeza, a
soma de nossas escolhas faz a vida coletiva. Se
escolhermos mal, não reclamemos amanhã.
Se vendermos nossa consciência, não
nos espantemos, amanhã, quando o patrimônio
público for leiloado em plena luz do dia
pelos mesmos vendilhões que arremataram
sua dignidade por preço vil. Sua escolha?
E a soma delas?
Gil
– Professor O
Trem
Gente, a vida do mineiro tem trem prá todo
lado. A
lição da árvore Havia
uma pequena árvore plantada junto a um
majestoso carvalho. Pouca luz recebia a arvorezinha.
O carvalho tomou seu espaço. Cresceu pouco
diante do imenso carvalho, que abrigava em seus
galhos ninhos de exuberantes aves. Toda manhã
gorjeavam suaves melodias. A arvorezinha revoltou-se
pela sua pequenez e insignificância. Mas
com o tempo ela se contentou. Tinha água,
tinha a sombra e o carvalho a protegia do vento
tempestuoso. Conformou-se com sua natureza. Gil
- Professor Sobre
o autor Colabore
![]()
![]()
![]()
:
Notícias
Notícias
| Eventos
|
Hot
Links
.Notícias
O
trabalho e a falta de ócio...
Sexta-feira,
3 de fevereiro de 2010
.
Num primeiro e mais essencial sentido trabalho
é criação e comunicação
humana por excelência. Só o homem
trabalha. Só o homem cria. Só o
homem estabelece relações com os
seus semelhantes e com a natureza através
do trabalho... A maioria das pessoas que conhecemos
na vida foi mediada por alguma atividade profissional.
A premência do progresso, todavia, potencializou
a força das mãos humanas e forjou
as máquinas, artefato de clonagem em série
sem precedentes na história da humanidade,
bem no amanhecer na Revolução Industrial,
desvirtuando essa vocação sublime
do trabalho. A máquina criou o capitalista
ou o capitalista criou a máquina? Coloco
apenas o dilema. Fato evidente é que o
homem deixou de possuir sua ferramenta de trabalho
e passou, apenas, a vender sua força produtiva.
Inaugurou-se o tempo da universalização
da exploração humana por meio do
trabalho.
A etimologia também oferece ao trabalho
uma conotação negativa. Trabalho
vem do latim “tripalium”, um instrumento
de tortura grotesco e cruel. Literalmente, quer
dizer “ três paus”, como um
tripé, estacado no chão e usado
para suplicar escravos e delatores.
A maioria dos comuns dos mortais precisa trabalhar
para viver. Exceção indecorosa para
os membros das denominadas classes ociosas, que
vivem parasitando o explorado trabalho alheio.
Não é preciso dizer. Você
conhece muito bem as tais classes ociosas.
Tudo na nossa vida é mediado e marcado
pelo trabalho. O termo impregnou a cultura ocidental
e é usado nos mais diversos sentidos. Por
exemplo, a mulher entra em trabalho de parto.
O casal que não vai bem deve trabalhar
a sua relação. E assim por diante...
Descanso para trabalhar. Tiro férias para
recuperar as energias para trabalhar. Há
pessoas que não conseguem tirar férias
por medo de perder o trabalho.
Nosso ócio também está corrompido
pelo trabalho e pela mentalidade de medir a vida
em termos de produtividade material. Não
sabemos o que fazer com o tempo de folga a não
ser descansar para trabalhar novamente. Esvaziamos
o sentido de nossa vida por causa de nosso apego
excessivo ao trabalho, muitas vezes repetitivo,
estressante e estéril, como o trabalho
de Sísifo, figura da Mitologia Grega, condenado
pelos deuses a rolar uma pedra de mármore
até o cume de uma montanha, de onde ela
desce obrigando-o a iniciar tudo novamente. Trabalho
eterno e inútil.
Não sabemos relaxar e aproveitar a vida
como uma dádiva. Temos dificuldades de
substituir o “ homo faber” , o homem
do trabalho, das técnicas, pelo “homo
volens” , o homem da vontade, da paixão,
do desejo. Aliás, as aspirações
mais caras de nossa vida residem na área
profissional. Será que isto nos satisfaz
inteiramente?
Podemos ir mais longe pensando na qualidade desse
ócio que nos falta. Um ócio criativo,
quem sabe, tomando emprestadas as palavras do
sociólogo italiano, Domenico de Massi.
Algo que preencha a vida de forma mais criativa
e integradora. Cada uma deve descobrir o seu caminho,
sem se deixar massificar. Um “Dolce far
niente”!
Sexta-feira,
22 de dezembro de 2009
.
Este ano não vou me encher de promessas
para emagrecer. Não ficarei preso à
periferia do meu ser. Antes, inaugurarei um spa
existencial, um tratamento intensivo de sobriedade
espiritual. Tenho muito que emagrecer em minha
mentalidade, no modo como lido com a vida. Preciso
queimar muita gordura existencial. Coisas tolas
que carrego comigo. Talvez um ventre de mágoas
e ressentimentos. Tentarei me desintoxicar da
imagem distorcida que fiz de mim mesmo e não
terei medo de ser feliz.
Sexta-feira,
14 de dezembro de 2009
.
A instância ética deve inspirar toda
a vida humana. É uma palavrinha muito importante
que vem da língua grega e, num sentido
mais amplo, significa morada humana. Corresponde
a uma necessidade profunda de tornar o mundo humano
e habitável, um abrigo protetor e estável.
No íntimo de cada ser humano, há
também o desejo de ter uma vida saudável
e equilibrada.
Sexta-feira,
30 de novembro de 2009
.
Solene senhora Vida . Sei que os anos continuam
consumindo sua busca por felicidade, sem jamais
descansar. Nunca desistiu de encontrá-la...
Mas em quantos descaminhos se perdeu... Por que
ainda não serenou? Por que ainda, minha
senhora, tergiversa?
Iludiu-se
com a utopia química de seus porres múltiplos.
Acidentou-se nas viagens alucinógenas que
qualquer pó lhe proporcionou. No início
era tão excitante, Vida! Mas apareceu um
bode que lhe atirou na fossa.
Procurou o mercado! Pensou encontrar felicidade
em produtos de mil vitrines. Acomodou-se com a
falsa perenização da moda que muda,
Vida, sempre... Perdeu-se em mil prestações
para possuir o “ carro do ano”, Vida.
Iludiu-se, Vida ! . Os compromissos financeiros
liquidaram seus sonos e os juros lhe deixaram
sem nenhuma jura de afeto.
Decidiu ter o corpo perfeito e sarado! Malhação
sara. Cosméticos saram. Bisturi corta e
sara. Mas você, vida, ficou mais doente
com as toxinas que ingeriu para inchar seus músculos
e derreter seu cérebro. Sua face, Vida,
o bisturi deformou! Amava suas rugas e os cabelos
brancos que não escondiam sua fragilidade.
Há saídas, Vida? Todas as suas vãs
tentativas de procurar felicidade lhe lançaram
num sono letárgico. Desperte, Vida! Rasgue,
quem sabe, o véu de apatia e indiferença.
Destrua o seu ensimesmamento. Não se iluda
mais... Pessoas alegres nem sempre são
felizes, Vida. Felicidade é muito mais
além... Combina com serenidade, ética,
respeito humano, solidariedade e simplicidade.
Ofereço-lhe um pequeno exemplo, Vida, de
felicidade simples. Nunca me esqueci daquele caboclo
que encontrei em minhas muitas andanças
pela vida, Vida. Contentou-se em me dizer que
“ pra vivê carece de tempo e paciença,
sem invocá com esse mundão de meu
Deus”. Portanto, Vida, não invoque
mais com este mundão. Aceite sua condição
humana, frágil e limitada. Qualquer tentativa
de buscar poder e onipotência, lhe deixará
vazia, sem domínio sobre si mesma, sem
chão, minha preciosa Vida. Há mistérios,
vida. Há perguntas sem respostas e sofrimentos
absurdos. Tente, pelo menos, vida, amar as suas
próprias demandas e as coisas mal aclaradas
de seu coração. Ame, Vida, este
misto insondável de luz e escuridão.
Há quanto tempo não reza, Vida?
Há quanto tempo não tem tempo para
mergulhar no mar abissal da intimidade com o Criador?
Tenha tempo para Ele. Converse muito com Ele,
sem medir palavras ou procurar fórmulas
prontas. A sua nudez e o seu medo serão
acolhidos por Ele. Quando estiver pronta, Vida,
não fale mais nada e aprenda amar o silêncio
de sua proximidade com Ele. Aconchegue-se, Vida.
Não há experiência mais intensa
que o silêncio despojado diante Dele.
Abra seu coração, Vida. Plante canteiros
de caridade e construa jiraus de solidariedade.
Abra sua cozinha para os famintos de pão.
Tenha muitos amigos. Quem sabe, ensine a escrever
quem tem muitas palavras no coração
e nunca conseguiu colocar no papel ? Quem sabe,
Vida, chegou o momento de visitar os velhinhos
esquecidos nos asilos e os doentes perdidos nos
hospitais ? Longe de você, preguiçosa
Vida, os domingos de muito tédio. Não
deixe no papel sua vontade de realizar qualquer
projeto de inclusão social. Ponha seus
sonhos na palma da mão, Vida.
Depois de um tempo me diga, revigorada Vida, que
a sua santa e sonhada felicidade, você encontrou,
sem carecer de procurar...
Sexta-feira,
25 de novembro de 2009
.
“Não vale à pena uma vida
que não possa ser refletida.” Certamente,
era uma das frases utilizadas por Sócrates
na Ágora, praça pública de
Atenas, instigando seus interlocutores a pensar.
Tão contundentes e verdadeiros seus argumentos,
tão persuasivas suas afirmações,
que incomodou o poder. Fora acusado de corromper
a juventude. Pena de morte por envenenamento!
Cicuta!
A Filosofia nunca poderá perder esta vocação
mais genuína. Instigar, perguntar, não
se deixar convencer por palavras bonitas, duvidar
dos grandes discursos e das frases muito pomposas.
A verdade muitas vezes é obscurecida por
discursos demagógicos. Se perder a vocação
de incomodar, não é mais filosofia.
Vejamos a Filosofia incomodando.
Incomoda nossa consciência que se contentou
o com o sono letárgico da ignorância
e que hesita em se questionar. Amedronta o inusitado
e o inesperado! Prefere-se o lugar comum, o prato
feito de idéias! Não há comprometimento.
Incomoda os sistemas políticos que acorrentam
os homens com suas ideologias. A Filosofia é
sempre desalinhadora. Tergiversa! Avessa aos conluios,
aos acordinhos que teimam em manter o poder à
custa da miséria humana.
Incomoda as religiões que monopolizam o
sagrado e insultam nossa credulidade. Há
outras possibilidades de transcendência.
Religiões ávidas por muito dinheiro,
posses e que promovem a violência e a morte
são as maiores catástrofes que a
humanidade pode enfrentar.
Incomoda as culturas que sustentam padrões
desumanizantes em nome de uma identidade perdida.
A Filosofia se propõe a humanizar a própria
cultura. Tarefa espinhosa e paradoxal.
Incomoda a ciência com a suas devoção
não racional no progresso da humanidade
e sua estranha avizinhação com o
poder.
Incomoda nossas formas de amar, tão loucas,
tão desvairadas e colonizadoras.
Incomoda nossos valores tão interesseiros
e utilitários. Quilômetros de distância
de qualquer fundamento ético.
Sócrates pagou o preço por sua coerência.
Não se curvou ao poder. Amou a verdade
até o fim. Segundo Platão, em “Apologia
a Sócrates”, teria ele pronunciado
as seguintes palavras no final de seu julgamento:
A mágica da lua e o humano
Sexta-feira,
19 de novembro de 2009
.
Gosto de comparar a vida com a lua, tão
forte, tão bonita, brilhando no infinito
azul do firmamento. Mas nem sempre é tão
intensa. Tem a lua minguante: pequena e de pouco
brilho. Parece que encolhe na escuridão
da noite. É como a gente! Dói na
hora que ficamos pequenos, sofrendo e deprimidos.
Não tem saída. Ninguém gosta
muito de ser lua minguante.
Há que se gestar o novo. Não posso
parar. Como bom mineiro, não posso perder
o trem da minha história, o trem de minhas
acontecências. Chegou o tempo da lua nova.
É preciso ter coragem de encarar as coisas
não resolvidas que insistem em transitar
em meu coração. Fazer mil planos
e colocar-me em marcha. Ânimo renovado para
crescer. Lua nova e vida nova ! Depois de tanta
dor, vem o consolo e a gente se anima de novo
a crescer, tem vontade nova de viver. Depois do
arrebol triste do por sol, que anunciou as escuridão
das trevas, vem a aurora reluzente, convidando-nos
a ficar de pé. Tempo bom e luminoso da
lua nova !
De decisão tomada e como muita paciência,
chegou o momento de crescer. É a fase da
lua crescente, tão forte, com vontade de
crescer. Findo o vale de lágrimas. Como
se a terra ressequida, árida e crepitada
pelo sol, recebesse a bênção
da chuva. Cio na terra e no céu. Desse
jeito o nosso coração, como a lua
crescente que mexe com a tranqüilidade da
gente, desinstala, instiga à mudança.
Como diz o adágio romano, “ama a
cela se queres ser introduzido na adega”.
No fim do ciclo vem a lua cheia, bonita e reluzente
no céu. Recompensa pelo esforço
despendido, satisfação por ter chegado
até o fim. Alegria serena de um dever cumprido,
uma etapa vencida.
Quanta gente não chega ao fim e abandona
seu caminho. Não luta, não espera,
não alcança. Quer a lua cheia, sem
passar pela minguante, sem despertar para a vida
com a lua nova, sem abandonar suas ilusões
e sem aceitar a vida do jeito inusitado como sempre
se aconchega....
Se viver é coisa perigosa, como disse Guimarães
Rosa, não temerei o risco e nem serei imprudente.
Vou aceitar assim mesmo a vida, instável,
inconstante como a lua no céu. Viver também
é coisa dolorosa, prazerosa, formosa...
Como a lua prateando o céu de minhas vivências...
Sexta-feira,
9 de novembro de 2009
.
Estudar ciências humanas sempre será
um desafio, principalmente para quem se acostumou
com uma formação eminentemente tecnicista
ou para quem teve sua formação balizada
pelos rigores científicos das ciências
exatas. O humano é sempre surpreendente.
Tergiversa. Não se deixa prender pelas
mãos ortodoxas da comunidade científica.
Por tal, é mais difícil fazer ciência
do fenômeno humano. Todavia, a visão
aproximada do real que as ciências humanas
oferecem são de suma importância
para todos nós. Vejamos o caso da Sociologia.
Estudar Sociologia permite-me por os pés
no chão. Permite-me ver de forma mais crítica
a realidade e não me contentar com as frases
prontas ou as conclusões precipitadas.
Estudar Sociologia me faz um cético da
mídia, que distorce a verdade, vez que
sustentada por interesses econômicos escusos.
Dois conceitos são importantes para compreender
como a Sociologia me situa no mundo: Macrossociologia
e Microssologia.
Macrossologia diz respeito à estrutura
social que me envolve e de que maneira sou condicionado
pelos grandes sistemas sociais. Meu comportamento
em sociedade está condicionado por uma
série de elementos institucionais. Por
exemplo, ainda hoje sofremos a influência
da crise econômica norte-americana. Quanta
gente que mora perto de nós perdeu o emprego?
Uma questão macrossociológica que
mudou a vida de muita gente. Minha própria
linguagem também é marcada por condicionamentos
do nível macro. Quando me dirijo a uma
autoridade, minha linguagem carrega todo um universo
social que o papel daquela pessoa representa.
Tal universo é compartilhado pelas outras
pessoas que convivem na mesma realidade social.
Microssociologia diz respeito ao comportamento
individual e de pequenos grupos. Nossas relações
interpessoais por mais simples e corriqueiras
que sejam são marcadas por elementos sociais.
Por mais autêntico que queira ser em minhas
decisões pessoais, na maneira como me visto
ou me comporto, não há como fugir
de um mínimo padrão que a sociedade
sutilmente me impõe. Não é
preciso que regras básicas de convivência
social sejam escritas. Pelo processo de socialização,
introjetamos a sociedade e a reproduzimos. Ela
está viva dentro de nós. Há
expectativas comuns que são compartilhadas
pelo mesmo universo social. Nossas uniões
formais estabelecidas pelo casamento, por exemplo,
carregam necessariamente valores e papéis
impostos pela sociedade.
Somos seres sociais e nossa liberdade de escolha
estará sempre balizada por condicionamentos
sociais. Mesmo assim poderemos ser livres e autênticos.
Para tanto, quem sabe necessitemos de Imaginação
Sociológica. Quem cunhou esta expressão
foi Charles Wright Mills, sociólogo norte-americano,
muito conhecido no século passado . Trata-se
de uma qualidade de espírito que deve ser
cultivada por todos nós. Consigo situar
minha história no nível macro e
microssociológico? Sou capaz de compreender
a relação entre minha biografia
pessoal e a história coletiva de meu povo?
Tenho consciência que minha vida é
marcada pelas organizações da sociedade,
desde o primeiro instante da minha vida em uma
maternidade? Ou sou um sujeito massificado, padronizado,
sem nenhuma capacidade de viver uma existência
autêntica? Curvo-me aos modismos vazios
da sociedade de consumo, sem saber distinguir
mais o que é necessidade e o que é
simplesmente desejo? Sou sensível às
causas coletivas, à necessidade de participação
político-social ou me alieno em meu individualismo?
A imaginação sociológica
nos oferece condições de responder
tais questões.
Precisamos de Imaginação Sociológica
para viver em sociedade de forma mais crítica,
livre e consciente. Caso contrário, continuaremos
sendo simples joguetes das forças do destino,
impiedosamente subjugados pelas ideologias e alheios
às mudanças que movem o mundo em
que ficamos, talvez, estacados.
Itinerário existencial
Sexta-feira,
9 de novembro de 2009
.
Só Deus é luz para retirar-me das
trevas.
Só Deus é sabedoria para exaurir
minha ignorância.
Só Deus é perdão para dar-me
misericórdia.
Só Deus é silêncio para emudecer
minha palavra.
Só Deus é palavra para preencher
meu silêncio.
Só Deus é júbilo para alegrar
meu coração.
Só Deus é alegria para dar-me contentamento.
Só Deus basta!
Só Deus é fonte para me deixar sedento.
Só Deus é riacho que me leva ao
mar.
Só Deus é vento que me veleja.
Só Deus é brisa quando é
hora de atracar.
Só Deus é âncora quando me
é permitido ficar.
Só Deus é tempestade quando resisto
em partir.
Só Deus basta !
Sexta-feira,
30 de outubro de 2009
.
Os gregos tinham uma palavra especial para o tempo
. Eles o percebiam de duas maneiras diferentes:
além do cronos, o kairós. Não
se trata de tempo medido no calendário,
tempo que estamos vivendo, a duração
efêmera do momento, tempo que passou ou
futuro que ansiosamente esperamos... Esse tempo
que flui é o cronos. Aliás, trazemos
no pulso os grilhões do tempo. Kairós
é tempo bom, tempo favorável , tempo
especial. Todos vivem o cronos, mas poucos experimentam
o kairós, pois isto exige um modo muito
especial de habitar o mundo, uma forma diferente
de escrever a história.
Fazer da vida um tempo favorável é
sempre encontrar motivos especiais para cada amanhecer.
É aceitar os desafios da vida como um artista
que pinta uma linda paisagem e eterniza no pequeno
espaço da tela sua alma, seu modo peculiar
e intransferível que ver o mundo. É
a arte! Essencialmente kairós!
No kairos, não importa o tempo que passou,
mas a eternidade e o valor que damos ao hoje.
Meu tempo favorável é o hoje e vou
vivê-lo intensamente. Vou tirar dele o máximo
que puder de satisfação e alegria,
como se fosse um cálice de vinho solenemente
bebido num grandioso banquete. A paixão
brota no cronos e o amor se eterniza no kairós,
como o maior, o mais sublime e o mais belo sentimento
que alguém pode experimentar na vida.
Os cristãos chamam de kairós o tempo
especial, aquele tempo em que Deus se manifesta
a humanidade e derrama prodigiosas bênçãos.
Ele dá a cada uma de nós um kairós.
Bênçãos e mais bênçãos!
Isto pode estar acontecendo agora, bem perto de
você! Ou ao seu lado!
Quem ainda não experimentou o kairós,
cultive no tempo a esperança... Na tardança
daquilo que se espera, construa jardins em seu
coração, regue-os com chuvas de
bem-dizer e se encante com a beleza que pode brotar
de sua intimidade! Não se incomode com
canteiros e estâncias de mal dizer que povoam
sua vizinhança. Assim não sentirá
a sua espera como uma clausura do tempo ou a prisão
de um destino... Sempre poderemos recomeçar.
Sempre há tempo para um tempo favorável
e a chegança de uma graciosa bênção!
Quarta-feira,
14 de outubro de 2009
.
Minha formação escolar marcou-me
profundamente. O começo de tudo há
mais de 20 anos.. Tempos diferentes e jeitos diferentes
de ensinar. Ainda hoje, quando encontro “
a professorinha que me ensinou o bê-á-bá”,
aflora em meu coração boas lembranças.
Tenho o maior carinho pelos mestres que marcaram
a minha vida. Evocando minhas reminiscências,
gostaria de comparar a educação
daquele tempo com a educação de
hoje. Quem sabe, tirar lições preciosas.
A educação do meu tempo tinha um
ranço de autoritarismo, não podemos
negar tal verdade. Talvez, fruto da enérgica
necessidade de aprender. Éramos muito exigidos
e ninguém morreu por conta disso. Aprendíamos!
Como aprendíamos! Por outro lado, o respeito
e a quase veneração que cultivávamos
pela imponente figura do mestre merecem atenção.
Mais que professor, era um mestre. Mais que ensinar
português ou matemática, inquietava-se
em nos preparar para a vida. Impensável,
inimaginável, naquele precioso tempo, o
desrespeito e a violência que hoje são
impingidas ao educador.
A educação na era informacional
mudou o papel do educador no processo pedagógico,
ao meu julgar. O mundo se descortina totalmente
diante da tela do meu computador. Barreiras geográficas
e culturais são transpostas pela antevisão
instantânea da alteridade. A informação,
que antes era quase que um segredo profissional,
pode ser garimpada em inúmeras infovias.
Acredito que o desafio do educador é transformar
esta grande seara de informações
em conhecimento. Tal conhecimento que suponho
exigir introspecção e reflexão
das informações recebidas. Aí
o múnus do educador. Selecionar as informações,
provocar a reflexão, permitir que a subjetividade
do educando transborde.... Aprender e ensinar
a construir pontes, restaurar a matriz dialogal
do processo pedagógico, e, quem sabe ainda,
orientar a práxis. O ciclo não se
fecha. É dinâmico! Oferece a possibilidade
de retroagir para reparar rotas perdidas da reflexão
e projetar novas intervenções.
Nunca mais esquecerá como produzir mel.
Quinta-feira,
01 de outubro de 2009
Quero compartilhar o pensamento de alguns autores
de Filosofia... São verdadeiras pérolas
que ainda impressionam. Seus pensamentos conservam
o brilho nacarado de uma pérola e nos ajudam
a viver melhor. Na compreensão que colho
da vida humana, acredito que, ao modificar o modo
de pensar, dou o primeiro passo para mudar o coração
e ser mais sensato, feliz e “pé-no-chão”.
Muito sofrimento e muita dor advêm de uma
visão deturpada da realidade.
Albert Camus, grande filósofo, escritor,
Prêmio Nobel de Literatura( 1957) com a
obra “ O estrangeiro”. Nasceu no dia
07 de novembro de 1913, em Mondovi, Argélia.
Sua vida, sua trajetória, seus sofrimentos
e desilusões, levaram-o a escrever sobre
as contradições e os absurdos da
trajetória humana. Camus faleceu no dia
04 de janeiro de 1960, em Paris, vítima
de um acidente de automóvel. Ele não
iria para Paris de automóvel. Tinha, inclusive,
comprado um bilhete para viajar de trem. Foi convencido
a viajar de automóvel pelos amigos.
Uma frase simples de nosso filósofo: “
A vida é a soma de todas as suas escolhas”.
Vale à pena refletir! Nossas escolhas são
auxiliadas pelos eventos que nos cercam. Estes
eventos não são bons, nem maus.
Nossas escolhas e respostas aos eventos é
que são positivas ou negativas. Você
tem consciência de que sua vida é
apenas o fruto de suas escolhas? Saber escolher...
Ter a humildade de pedir ajuda quando nossas escolhas
são difíceis... Saber o momento
certo de decidir. Um amigo confidenciou-me que
decidia as coisas mais importantes de sua vida
depois de uma boa noite de sono. Nunca decidia
nada de cabeça quente ou depois de uma
noite mal dormida.
Segunda-feira, 28 de setembro de
2009
O trem pode ficar feio: “ Eta, home, o trem
tá feio”.
O trem pode ficar interressante: “ Que trem
bonito, sô”.
O trem pode ficar gostoso: “Que trem grande,
sô.”
O trem pode ficar macio: “ Hum que trenzim
fofo”.
O trem pode ficar complicado: “Não
entendi nada desse trem”.
O trem pode ser muito chato: “Esse trem
não larga do meu pé”.
Tem inflação no trem: “Que
trem caro, sô”.
Muita gente quer matar o trem: “Ainda mato
esse trem”.
O trem pode agradar ao paladar: “ Que trem
gostoso, me dá um tiquim”.
Tem gente que não gosta do trem.
Tem gente que é tarado pelo trem.
O trem pode irritar os olhos.
Tem tanto mala aí que é um trem.
A gente bota o trem onde quiser.
Ninguém tem nada a ver com o trem da gente.
A gente tem que agüentar tanto trem na vida.
A gente tem que engolir tanto trem.
O mineiro esquece até um trem.
E o que é mesmo esse dando do trem, sô
?
O trem é um trem, uai.
O trem passa todo o dia em Monlevade, chein de
trem.
O trem carrega tanto trem bão !
E o bom mineiro não vive sem aquele trem.
Segunda-feira, 28 de setembro de
2009
Numa bela manhã de verão, a natureza
mudou o rumo dos acontecimentos. O firmamento
estremecia pela explosão de fulminantes
relâmpagos. Um raio poderoso rasgou o céu
e carbonizou o imponente carvalho. O que fazer
diante do abandono ? Da falta de sombra e proteção
? O sol poderia torrar suas frágeis folhas
. Seu débil caule poderia rachar pela força
do vento. Estava perdida, abandonada e sem chão.
Vergou-se e caiu em profunda depressão.
Os dias e as noites passavam e a nossa árvore
não queria saber de crescer. Havia agora
espaço para crescer. Numa bela manhã,
triste e deprimida, olhava o brilho de um raio
de sol, que se apossou de uma gota de orvalho.
Era maravilhoso e multicor, tão diferente
de sua vida desamparada. Mas neste instante, não
sei movida por qual força que saia de sua
intimidade, resolveu se voltar para o sol e se
erguer lentamente para a mais poderosa força
da natureza. A luz ofuscou-lhe . Mesmo assim ela
encarou o fulgor. O vento vergava seu caule, mas
ela dançou e se refrescou com o seu sopro.
A árvore cresceu e lançou suas raízes
no âmago da terra e bebeu sua seiva. Antes,
não tinha consciência de si. Agora
descobriu que também era um carvalho.

Gilberto
Alves Rodrigues é formado em Filosofia
e especialista em Gestao Organizacional.
Atualmente leciona no curso de Administração
das Faculdades Integradas Funcec.
"Este
blog é uma pequena tentativa de interação
com a comunidade acadêmica. Mandem
críticas, sugestões, temas
para serem desenvolvidos. Gosto muito de
escrever. Amo os pequenos fragmentos de
minha experiência de vida que compartilho.
Além de tudo, a escrita pode ser
também um bom remédio... Amplia
horizontes, gesta o senso crítico,
expressa a grandeza de nossos sentimentos.
Pode ter a formosura de um poema ou o conselho
de um sábio aforismo. Ajuda a formar
convicções e a corrigir rotas
perdidas do pensamento.
Aguardo seu e-mail!"
Gil
![]()
![]()