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Gil
– Professor Sobre
o autor Comentários
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A Sociologia e eu
Sexta-feira,
9 de novembro de 2009
.
SEstudar ciências humanas sempre será
um desafio, principalmente para quem se acostumou
com uma formação eminentemente tecnicista
ou para quem teve sua formação balizada
pelos rigores científicos das ciências
exatas. O humano é sempre surpreendente.
Tergiversa. Não se deixa prender pelas
mãos ortodoxas da comunidade científica.
Por tal, é mais difícil fazer ciência
do fenômeno humano. Todavia, a visão
aproximada do real que as ciências humanas
oferecem são de suma importância
para todos nós. Vejamos o caso da Sociologia.
Estudar Sociologia permite-me por os pés
no chão. Permite-me ver de forma mais crítica
a realidade e não me contentar com as frases
prontas ou as conclusões precipitadas.
Estudar Sociologia me faz um cético da
mídia, que distorce a verdade, vez que
sustentada por interesses econômicos escusos.
Dois conceitos são importantes para compreender
como a Sociologia me situa no mundo: Macrossociologia
e Microssologia.
Macrossologia diz respeito à estrutura
social que me envolve e de que maneira sou condicionado
pelos grandes sistemas sociais. Meu comportamento
em sociedade está condicionado por uma
série de elementos institucionais. Por
exemplo, ainda hoje sofremos a influência
da crise econômica norte-americana. Quanta
gente que mora perto de nós perdeu o emprego?
Uma questão macrossociológica que
mudou a vida de muita gente. Minha própria
linguagem também é marcada por condicionamentos
do nível macro. Quando me dirijo a uma
autoridade, minha linguagem carrega todo um universo
social que o papel daquela pessoa representa.
Tal universo é compartilhado pelas outras
pessoas que convivem na mesma realidade social.
Microssociologia diz respeito ao comportamento
individual e de pequenos grupos. Nossas relações
interpessoais por mais simples e corriqueiras
que sejam são marcadas por elementos sociais.
Por mais autêntico que queira ser em minhas
decisões pessoais, na maneira como me visto
ou me comporto, não há como fugir
de um mínimo padrão que a sociedade
sutilmente me impõe. Não é
preciso que regras básicas de convivência
social sejam escritas. Pelo processo de socialização,
introjetamos a sociedade e a reproduzimos. Ela
está viva dentro de nós. Há
expectativas comuns que são compartilhadas
pelo mesmo universo social. Nossas uniões
formais estabelecidas pelo casamento, por exemplo,
carregam necessariamente valores e papéis
impostos pela sociedade.
Somos seres sociais e nossa liberdade de escolha
estará sempre balizada por condicionamentos
sociais. Mesmo assim poderemos ser livres e autênticos.
Para tanto, quem sabe necessitemos de Imaginação
Sociológica. Quem cunhou esta expressão
foi Charles Wright Mills, sociólogo norte-americano,
muito conhecido no século passado . Trata-se
de uma qualidade de espírito que deve ser
cultivada por todos nós. Consigo situar
minha história no nível macro e
microssociológico? Sou capaz de compreender
a relação entre minha biografia
pessoal e a história coletiva de meu povo?
Tenho consciência que minha vida é
marcada pelas organizações da sociedade,
desde o primeiro instante da minha vida em uma
maternidade? Ou sou um sujeito massificado, padronizado,
sem nenhuma capacidade de viver uma existência
autêntica? Curvo-me aos modismos vazios
da sociedade de consumo, sem saber distinguir
mais o que é necessidade e o que é
simplesmente desejo? Sou sensível às
causas coletivas, à necessidade de participação
político-social ou me alieno em meu individualismo?
A imaginação sociológica
nos oferece condições de responder
tais questões.
Precisamos de Imaginação Sociológica
para viver em sociedade de forma mais crítica,
livre e consciente. Caso contrário, continuaremos
sendo simples joguetes das forças do destino,
impiedosamente subjugados pelas ideologias e alheios
às mudanças que movem o mundo em
que ficamos, talvez, estacados.

Gilberto
Alves Rodrigues é formado em Filosofia
e especialista em Gestao Organizacional.
Atualmente leciona no curso de Administração
das Faculdades Integradas Funcec.
.
gilmonlevade@gmail.com
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