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Educação e vida
Quarta-feira, 14 de outubro de 2009
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Minha formação escolar marcou-me profundamente. O começo de tudo há mais de 20 anos.. Tempos diferentes e jeitos diferentes de ensinar. Ainda hoje, quando encontro “ a professorinha que me ensinou o bê-á-bá”, aflora em meu coração boas lembranças. Tenho o maior carinho pelos mestres que marcaram a minha vida. Evocando minhas reminiscências, gostaria de comparar a educação daquele tempo com a educação de hoje. Quem sabe, tirar lições preciosas.

A educação do meu tempo tinha um ranço de autoritarismo, não podemos negar tal verdade. Talvez, fruto da enérgica necessidade de aprender. Éramos muito exigidos e ninguém morreu por conta disso. Aprendíamos! Como aprendíamos! Por outro lado, o respeito e a quase veneração que cultivávamos pela imponente figura do mestre merecem atenção. Mais que professor, era um mestre. Mais que ensinar português ou matemática, inquietava-se em nos preparar para a vida. Impensável, inimaginável, naquele precioso tempo, o desrespeito e a violência que hoje são impingidas ao educador.

A educação na era informacional mudou o papel do educador no processo pedagógico, ao meu julgar. O mundo se descortina totalmente diante da tela do meu computador. Barreiras geográficas e culturais são transpostas pela antevisão instantânea da alteridade. A informação, que antes era quase que um segredo profissional, pode ser garimpada em inúmeras infovias. Acredito que o desafio do educador é transformar esta grande seara de informações em conhecimento. Tal conhecimento que suponho exigir introspecção e reflexão das informações recebidas. Aí o múnus do educador. Selecionar as informações, provocar a reflexão, permitir que a subjetividade do educando transborde.... Aprender e ensinar a construir pontes, restaurar a matriz dialogal do processo pedagógico, e, quem sabe ainda, orientar a práxis. O ciclo não se fecha. É dinâmico! Oferece a possibilidade de retroagir para reparar rotas perdidas da reflexão e projetar novas intervenções.

A imagem da abelha colhendo o néctar das flores para fabricar o mel ajuda a compreender melhor a missão do educador. Na grande seara da globalização, o educador deve ajudar na seleção e colheita do néctar para produzir mel. Bom néctar, bom mel. Boas informações, boa metodologia, boa aprendizagem. Depois que colheu o néctar, a abelha não se esquece do seu odor. É capaz de se orientar novamente para mesma flor onde o colheu o néctar. Se bem informado, se introjetou a mensagem, se utilizou o conhecimento, se multiplicou o conhecimento, consolidado está o processo pedagógico.
Nunca mais esquecerá como produzir mel.

Acredito que a educação tem como destinação principal nos tornar mais sábios. Dar sabor a vida de muita gente e torná-la mais suave e saborosa como o mel. A história assim poderá atingir sua grácil plenitude. Ontem, a sacralidade do mestre; hoje, a copiosíssima seletividade da informação; amanhã, cidadãos mais humanos, mais íntegros e mais felizes.


Gil – Professor

Sobre o autor
Gilberto Alves Rodrigues é formado em Filosofia e especialista em Gestao Organizacional. Atualmente leciona no curso de Administração das Faculdades Integradas Funcec.


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