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Refletindo sobre a Ética
Sexta-feira, 14 de dezembro de 2009
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A instância ética deve inspirar toda a vida humana. É uma palavrinha muito importante que vem da língua grega e, num sentido mais amplo, significa morada humana. Corresponde a uma necessidade profunda de tornar o mundo humano e habitável, um abrigo protetor e estável. No íntimo de cada ser humano, há também o desejo de ter uma vida saudável e equilibrada.

Muitas vezes usamos, equivocadamente, a palavra ética e moral como sinônimas. A palavra moral é de origem latina e significa “costumes”, “hábitos”, o que corresponderia a uma sentido mais superficial da palavra ética. De maneira simples, podemos dizer que a moral seria a vivência concreta dos homens em cada contexto social e, a ética, seria a reflexão sobre tal vivência. A moral é forjada por uma matéria prima que se denomina ética. A ética é universal e a moral particular.

A ética apresenta os princípios que orientam nossa consciência, na busca do efetivamente bom e do bem. Tais princípios se cristalizam na moralidade dos atos humanos. Fazemos perguntas importantes sobre nossas escolhas e o que é ser uma pessoa livre. Para captar em profundidade sua relevância especial em nossa vida, duas dimensões precisam ser integradas. A autonomia e a heteronomia descortinam o horizonte ético de nossa existência.

Autonomia é uma palavra que vem do grego e significa “ a lei, a norma que crio para eu mesmo”, ou “ quem ou o que se governa”. Mais precisamente, refere-se ao desejo de tomarmos as nossas próprias decisões, de sermos senhores de nossas escolhas e de governarmos a nós mesmos. O processo de maturidade humana deve nos conduzir a uma autonomia sadia e integradora. Nesse momento, principalmente, podemos entrar em choque com os nossos pais que, bem intencionados, querem nos ajudar em nossas escolhas, querem que erremos menos e sejamos mais felizes. Com o tempo, se amadurecemos, podemos perceber que o apoio de nossos pais nesse momento pode ser fundamental e não nos tira a autonomia, desde que liberdades de escolhas sejam respeitadas.

Heteronomia é outra palavra que vem da língua grega e significa “ outra lei, norma diversa”. Recebemos um mundo pré-dado que nos obriga à sujeição e à obediência. O Estado nos obriga a cumprir a lei mediante diversas sanções. As organizações impõe seus valores. As sociedades dispõem seus padrões de conduta. Sem perceber, internalizamos as normas e os padrões de conduta. O que aprendemos de nossos pais no processo de socialização primária, o que aprendemos nas escolas e outras instituições no processo de socialização secundária, ensinamos aos nossos filhos. Em outras palavras, a sociedade se aloja dentro de nós, para podermos reproduzi-la. Não há como fugir da heteronomia, pois também a introjetamos.

O que seria então a liberdade humana? Somos livres diante de tantas regras e normas que devemos obedecer? Não há espaço para minha intimidade? De fato, não existe uma liberdade total e absoluta. Nossa liberdade é sempre circunstanciada, “situacionada”, se assim podemos dizer. O melhor conceito que encontro para liberdade será a capacidade que tenho de conviver com o outro. Minha liberdade começa onde começa a liberdade do outro, pois liberdade é encontro, respeito e interação. Não podemos querer colonizar o outro, impondo nossos valores e nossa visão de mundo. Esse é o caminho possível para construirmos uma liberdade autêntica.

Resumindo tudo o que foi apresentado, podemos afirmar que nossas escolhas são balizadas pelo desejo de autonomia e pela consciência das barreiras que toda sociedade nos impõe. Nessa seara construímos nossa liberdade. Há que se buscar um equilíbrio desafiador. A autonomia não pode significar isolamento e egoísmo. Destarte, temos que buscar sempre um espaço para formação e efetividade de uma consciência crítica diante da realidade social. Ela não é unívoca. Podemos fazer escolhas sadias e libertadoras, que nos distanciam dos padrões que a sociedade deseja instituir e que contradizem nossos valores pessoais.

Gil – Professor

 

Sobre o autor
Gilberto Alves Rodrigues é formado em Filosofia e especialista em Gestao Organizacional. Atualmente leciona no curso de Administração das Faculdades Integradas Funcec.


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Gil


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