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Felicidade existe
Sexta-feira, 30 de novembro de 2009
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Solene senhora Vida . Sei que os anos continuam consumindo sua busca por felicidade, sem jamais descansar. Nunca desistiu de encontrá-la... Mas em quantos descaminhos se perdeu... Por que ainda não serenou? Por que ainda, minha senhora, tergiversa?

Iludiu-se com a utopia química de seus porres múltiplos. Acidentou-se nas viagens alucinógenas que qualquer pó lhe proporcionou. No início era tão excitante, Vida! Mas apareceu um bode que lhe atirou na fossa.

Procurou o mercado! Pensou encontrar felicidade em produtos de mil vitrines. Acomodou-se com a falsa perenização da moda que muda, Vida, sempre... Perdeu-se em mil prestações para possuir o “ carro do ano”, Vida. Iludiu-se, Vida ! . Os compromissos financeiros liquidaram seus sonos e os juros lhe deixaram sem nenhuma jura de afeto.

Decidiu ter o corpo perfeito e sarado! Malhação sara. Cosméticos saram. Bisturi corta e sara. Mas você, vida, ficou mais doente com as toxinas que ingeriu para inchar seus músculos e derreter seu cérebro. Sua face, Vida, o bisturi deformou! Amava suas rugas e os cabelos brancos que não escondiam sua fragilidade.

Há saídas, Vida? Todas as suas vãs tentativas de procurar felicidade lhe lançaram num sono letárgico. Desperte, Vida! Rasgue, quem sabe, o véu de apatia e indiferença. Destrua o seu ensimesmamento. Não se iluda mais... Pessoas alegres nem sempre são felizes, Vida. Felicidade é muito mais além... Combina com serenidade, ética, respeito humano, solidariedade e simplicidade.

Ofereço-lhe um pequeno exemplo, Vida, de felicidade simples. Nunca me esqueci daquele caboclo que encontrei em minhas muitas andanças pela vida, Vida. Contentou-se em me dizer que “ pra vivê carece de tempo e paciença, sem invocá com esse mundão de meu Deus”. Portanto, Vida, não invoque mais com este mundão. Aceite sua condição humana, frágil e limitada. Qualquer tentativa de buscar poder e onipotência, lhe deixará vazia, sem domínio sobre si mesma, sem chão, minha preciosa Vida. Há mistérios, vida. Há perguntas sem respostas e sofrimentos absurdos. Tente, pelo menos, vida, amar as suas próprias demandas e as coisas mal aclaradas de seu coração. Ame, Vida, este misto insondável de luz e escuridão.

Há quanto tempo não reza, Vida? Há quanto tempo não tem tempo para mergulhar no mar abissal da intimidade com o Criador? Tenha tempo para Ele. Converse muito com Ele, sem medir palavras ou procurar fórmulas prontas. A sua nudez e o seu medo serão acolhidos por Ele. Quando estiver pronta, Vida, não fale mais nada e aprenda amar o silêncio de sua proximidade com Ele. Aconchegue-se, Vida. Não há experiência mais intensa que o silêncio despojado diante Dele.

Abra seu coração, Vida. Plante canteiros de caridade e construa jiraus de solidariedade. Abra sua cozinha para os famintos de pão. Tenha muitos amigos. Quem sabe, ensine a escrever quem tem muitas palavras no coração e nunca conseguiu colocar no papel ? Quem sabe, Vida, chegou o momento de visitar os velhinhos esquecidos nos asilos e os doentes perdidos nos hospitais ? Longe de você, preguiçosa Vida, os domingos de muito tédio. Não deixe no papel sua vontade de realizar qualquer projeto de inclusão social. Ponha seus sonhos na palma da mão, Vida.

Depois de um tempo me diga, revigorada Vida, que a sua santa e sonhada felicidade, você encontrou, sem carecer de procurar...

Gil – Professor

 

Sobre o autor
Gilberto Alves Rodrigues é formado em Filosofia e especialista em Gestao Organizacional. Atualmente leciona no curso de Administração das Faculdades Integradas Funcec.


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Gil


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