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NOVAS REGRAS ORTOGRÁFICAS

Fique ligado!

O Novo Acordo Ortográfico foi elaborado para uniformizar a grafia das palavras dos países lusófonos, ou seja, os que têm o português como língua oficial. Ele entrou em vigor a partir de janeiro de 2009, a partir da homologação do Decreto federal nº 6.583, de 29 de setembro de 2008.

Os brasileiros terão quatro anos para se adequar às novas regras. Durante esse tempo, tanto a grafia hoje vigente como a nova serão aceitas oficialmente. A partir de 1º de janeiro de 2013, a grafia correta da língua portuguesa será a prevista no Novo Acordo.

Ainda há questões controversas, principalmente no que tange ao hífen em palavras compostas. Essas questões só serão esclarecidas com a nova edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), a ser publicado pela Academia Brasileira de Letras.

As mudanças são poucas em relação ao número de palavras que a língua portuguesa tem, porém são significativas e importantes. Basicamente o que nos atinge mais fortemente no dia a dia é o uso dos acentos e do hífen. Neste documento, você encontra as novas regras, o que muda e como devemos escrever a partir de janeiro de 2009.

Confira as principais mudanças

1 Alfabeto

• Nova Regra: O alfabeto agora é formado por 26 letras.

• Regra Antiga: O 'k', 'w' e 'y' não eram consideradas letras do nosso alfabeto.

• Como Será: Essas letras serão usadas em siglas, símbolos, nomes próprios, palavras estrangeiras e seus derivados. Exemplos: Byron, byroniano, Franklyn, Darwin, darwinismo, Kuwait, kuwaitiano, km (para quilômetro), kg (para quilograma), kw, (para kilowatt).


2 Trema

• Nova Regra: Não existe mais o trema em língua portuguesa. Apenas em casos de nomes próprios e seus derivados, por exemplo: Müller, mülleriano.

• Regra Antiga: agüentar, conseqüência, cinqüenta, qüinqüênio, freqüência, freqüente, eloqüência, eloqüente, argüição, delinqüir, pingüim, tranqüilo, lingüiça.

• Como Será: aguentar, consequência, cinquenta, quinquênio, frequência, frequente, eloquência, eloquente, arguição, delinquir, pinguim, tranquilo, linguiça.


3 Acentuação

3.1 Ditongos abertos

• Nova Regra: Ditongos abertos (ei, oi) não são mais acentuados em palavras paroxítonas.

• Regra Antiga: assembléia, platéia, idéia, colméia, boléia, panacéia, Coréia, hebréia, bóia, paranóia, jibóia, apóio, heróico, paranóico.

• Como Será: assembleia, plateia, ideia, colmeia, boleia, panaceia, Coreia, hebreia, boia, paranoia, jiboia, apoio, heroico, paranóico.


3.1.1 Observações

• Nos ditongos abertos de palavras oxítonas e monossílabas, o acento continua: herói, constrói, dói, anéis, papéis.

• O acento, no ditongo aberto 'eu', continua em oxítonas e monossílabas: chapéu, véu, céu, ilhéu.


3.2 Hiatos “oo” e “ee”


• Nova Regra: O hiato 'oo' não é mais acentuado.

• Regra Antiga: enjôo, vôo, corôo, perdôo, côo, môo, abençôo, povôo.

• Como Será: enjoo, voo, coroo, perdoo, coo, moo, abençoo, povoo.

• Nova Regra: O hiato 'ee' não é mais acentuado.

• Regra Antiga: crêem, dêem, lêem, vêem, descrêem, relêem, revêem.

• Como Será: creem, deem, leem, veem, descreem, releem, reveem.


3.3 Acento diferencial

• Nova Regra: Não existe mais o acento diferencial em palavras homógrafas.

• Regra Antiga: pára (verbo), péla (substantivo e verbo), pêlo (substantivo), pêra (substantivo), péra (substantivo), pólo (substantivo).

• Como Será: para (verbo), pela (substantivo e verbo), pelo (substantivo), pera (substantivo), pera (substantivo), polo (substantivo).

3.3.1 Observações

• O acento diferencial ainda permanece no verbo 'poder' (3ª pessoa do Pretérito Perfeito do Indicativo - 'pôde') e no verbo 'pôr' para diferenciar da preposição 'por'.

- É facultativo o uso do acento diferencial em “fôrma” (substantivo).


3.4 Letra “U” nas formas verbais rizotônicas

• Nova Regra: não se acentua mais a letra 'u' nas formas verbais rizotônicas, quando precedido de 'g' ou 'q' e antes de 'e' ou 'i' (gue, que, gui, qui).

• Regra Antiga: argúi, apazigúe, averigúe, enxagúe, enxagúemos, obliqúe.

• Como Será: argui, apazigue,averigue, enxague, ensaguemos, oblique.


3.5 “I” e “U” tônicos em paroxítonas

• Nova Regra: Não se acentua mais 'i' e 'u' tônicos em paroxítonas quando precedidos de ditongo.

• Regra Antiga: baiúca, boiúna, cheiínho, saiínha, feiúra, feiúme.

• Como Será: baiuca, boiuna, cheiinho, saiinha, feiura, feiume.

4 Hífen

4.1 Prefixo terminado em vogal e palavra iniciada por “r” ou “s”

• Nova Regra: o hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por 'r' ou 's', sendo que essas devem ser dobradas.

• Regra Antiga: ante-sala, ante-sacristia, auto-retrato, anti-social, anti-rugas, arqui-romântico, arqui-rivalidade, auto-regulamentação, auto-sugestão, contra-senso, contra-regra, contra-senha, extra-regimento, extra-sístole, extra-seco, infra-som, ultra-sonografia, semi-real, semi-sintético, supra-renal, supra-sensível.

• Como Será: antessala, antessacristia, autorretrato, antissocial, antirrugas, arquirromântico, arquirrivalidade, autorregulamentação, contrassenha, extrarregimento, extrassístole, extrasseco, infrassom, infrarrenal, ultrarromântico, ultrassonografia, suprarrenal, suprassensível.

4.1.1 Observações

• Em prefixos terminados por 'r', permanece o hífen se a palavra seguinte for iniciada pela mesma letra: hiper-realista, hiper-requintado, hiper-requisitado, inter-racial, inter-regional, inter-relação, super-racional, super-realista, super-resistente etc.

4.2 Prefixo terminado em vogal + palavra iniciada por vogal diferente

• Nova Regra: o hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por outra vogal.

• Regra Antiga: auto-afirmação, auto-ajuda, auto-aprendizagem, auto-escola, auto-estrada, auto-instrução, contra-exemplo, contra-indicação, contra-ordem, extra-escolar, extra-oficial, infra-estrutura, intra-ocular, intra-uterino, neo-expressionista, neo-imperialista, semi-aberto, semi-árido, semi-automático, semi-embriagado, semi-obscuridade, supra-ocular, ultra-elevado.

• Como Será: autoafirmação, autoajuda, autoaprendizagem, autoescola, autoestrada, autoinstrução, contraexemplo, contraindicação, contraordem, extraescolar, extraoficial, infraestrutura, intraocular, intrauterino, neoexpressionista, neoimperialista, semiaberto, semiautomático, semiárido, semiembriagado, semiobscuridade, supraocular, ultraelevado.

4.2.1 Observações

• Esta nova regra vai uniformizar algumas exceções já existentes antes: antiaéreo, antiamericano, socioeconômico etc.

• Esta regra não se encaixa quando a palavra seguinte iniciar por 'h': anti-herói, anti-higiênico, extra-humano, semi-herbáceo etc.


4.3 Prefixo terminado em vogal + palavra iniciada pela mesma vogal

• Nova Regra: agora, utiliza-se hífen quando a palavra é formada por um prefixo (ou falso prefixo) terminado em vogal + palavra iniciada pela mesma vogal.

• Regra Antiga: antiibérico, antiinflamatório, antiinflacionário, antiimperialista, arquiinimigo, arquiirmandade, microondas, microônibus, microorgânico.

• Como Será: anti-ibérico, anti-inflamatório, anti-inflacionário, anti-imperialista, arqui-inimigo, arqui-irmandade, micro-ondas, micro-ônibus, micro-orgânico.

4.3.1 Observações

• Esta regra foi alterada por conta da regra anterior: prefixo termina com vogal + palavra inicia com vogal diferente = não tem hífen; prefixo termina com vogal + palavra inicia com mesma vogal = com hífen.

• Uma exceção é o prefixo 'co'. Mesmo se a outra palavra inicia-se com a vogal 'o', NÃO se utiliza hífen: coeducação, coedição, coeditar.


4.4 Compostos que perderam a noção de composição

• Nova Regra: não usamos mais hífen em compostos que, pelo uso, perdeu-se a noção de composição.

• Regra Antiga: manda-chuva, pára-quedas, pára-quedista, pára-lama, pára-brisa, pára-choque, pára-vento.

• Como Será: mandachuva, paraquedas, paraquedista, paralama, parabrisa, parachoque, paravento.


4.4.1 Observação

• O uso do hífen permanece em palavras compostas que não contêm elemento de ligação e constitui unidade sintagmática e semântica, mantendo o acento próprio, bem como naquelas que designam espécies botânicas e zoológicas: ano-luz, azul-escuro, médico-cirurgião, conta-gotas, guarda-chuva, segunda-feira, tenente-coronel, beija-flor, couve-flor, erva-doce, mal-me-quer, bem-te-vi etc.


4.5 O uso do hífen permanece

• Em palavras formadas por prefixos 'ex', 'vice', 'soto': ex-marido, vice-presidente, soto-mestre.

• Em palavras formadas por prefixos 'circum' e 'pan' + palavras iniciadas em vogal, M ou N: pan-americano, circum-navegação.

• Em palavras formadas com prefixos 'pré', 'pró' e 'pós' + palavras que tem significado próprio: pré-natal, pró-desarmamento, pós-graduação.

• Em palavras formadas pelas palavras 'além', 'aquém', 'recém', 'sem': além-mar, além-fronteiras, aquém-oceano, recém-nascidos, recém-casados, sem-número, sem-teto.


4.6 Não existe mais hífen

• Em locuções de qualquer tipo (substantivas, adjetivas, pronominais, verbais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais): cão de guarda, fim de semana, café com leite, pão de mel, sala de jantar, cartão de visita, cor de vinho, à vontade, abaixo de, acerca de etc.

• Exceções: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao-deus-dará, à queima-roupa.


5 Consoantes não pronunciadas

Fora do Brasil foram eliminadas as consoantes não pronunciadas:

• ação, didático, ótimo, batismo em vez de acção, didáctico, óptimo, baptismo.


6 Grafia Dupla

De forma a contemplar as diferenças fonéticas existentes, aceitam-se duplas grafias em algumas palavras:

• António/Antônio, facto/fato, secção/seção.


7 Acento diferencial

É o acento usado para diferenciar duas palavras de significado diferente mas escritas da mesma forma. Ele deixa de existir nos seguintes casos:

Pára (verbo), que se diferenciava da preposição para;

Pêlo (substantivo), que se diferenciava da preposição pelo;

Pólo (substantivo), que se diferenciava da preposição polo;

Pêra (substantivo), que se diferenciava da preposição pera.


7.1 Há as seguintes exceções:

Pôde (verbo poder no passado) conserva o acento para se distinguir de pode (verbo poder no presente);

Pôr (verbo) conserva o acento para se distinguir de por (preposição).


7.2 Uso facultativo nos casos:

- Dêmos (do verbo no subjuntivo que nós dêmos) para se diferenciar de demos (do passado nós demos).

- Fôrma (substantivo) para se diferenciar de forma (verbo).
Atenção!

O acento circunflexo continua valendo para sinalizar o plural dos verbos ter e vir e seus derivados: eles têm, eles vêm, eles retêm, eles intervêm.


8 U tônico

A letra u não será mais acentuada nas sílabas que, qui, gue, gui dos verbos como arguir, redarguir, apaziguar, averiguar, obliquar. Assim, temos apazigue (em vez de apazigúe), argui (em vez de ele argúi), averigue, oblique. Pode-se também acentuar desta forma esses verbos: ele apazígue, averígue, oblíque.


9 I e U tônicos

As palavras paroxítonas que têm i ou u tônicos precedidos por ditongos não serão mais acentuadas. Desta forma, agora se escreve feiura, baiuca, boiuno, cauila.

Essa regra não vale quando se trata de palavras oxítonas; nesses casos, o acento permanece. Assim, continua correto Piauí, teiús, tuiuiú.


10 Emprego do E, I

Escreve-se com i, e não com e, antes da sílaba tônica:

Adjetivos e substantivos derivados em que entram os sufixos -iano e -iense.

Exemplos: acriano (do Acre), camoniano (referente a Camões), torriense (de Torres), açoriano (dos Açores), rosiano (relativo a Guimarães Rosa).


Fontes:
http://www.abril.com.br/reforma-ortografica/
http:www.interney.net/p=9764462

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